Anatomias

março 05, 2015

As palavras nunca são ocas.
São tesouros cheios de intenções, de desejos, de sonhos. São uma empatia que se não revela nos gestos. Ou que pretende ser sentida em mais do que a pele.
"Eu quero que ouças", "que o leias", "que o recordes e o revivas tantas vezes quantas queiras"... "Eu amo-te", Eu espero-te", "Eu vivo-te", "Eu sinto-te aqui apesar de tudo". "Magoaste-me". "E é só.". Porque as não-palavras também não são ocas. Também se dizem. Também magoam. Às vezes também amam e acariciam num silêncio complexo que vive na angústia e no risco que é não saberes, não leres, não o sentires. Sente letra a letra.
Não são ocas as palavras. São eternas.
Dizê-mo-las ocas apenas para não lidar com a sua definitividade.
É difícil lidar com a definitividade. Mas a seguir a estas palavras, bem como à maioria das outras palavras das pessoas, das despedidas e do Mundo, seguir-se-ão outras.

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