Voos

março 31, 2015

Não sei
Por onde caminho.
Conheço o porto de chegada,
O meu porto de chegada,
Bem melhor do que as marcas
Que hoje estão inexoravelmente tatuadas na minha pele.
Gostava de te apagar delas.
A ti
E às marcas que deixaste
E de fazer um reset total,
Que me fizesse recordar
A pessoa que era, sem ti,
Antes de te conhecer.
A pessoa que fui,
Com os sonhos tontos que tinha
E com certeza tantas quedas por dar.
Gostava de lá voltar.
E, se,
Ainda que por segundos,
As músicas entoassem no mesmo tom,
Os desejos soassem a possibilidade,
A desapego e a excitação,
Tudo ao mesmo tempo?
Lembraste
Desse tempo?
Não me arrependo
Em momento algum,
De ter sido criança,
De ter sido tonta,
De ter sonhado
E de ter acordado depois.
Não me arrependo de ter acreditado em amizades eternas
Em amizades perfeitas
Em pessoas perfeitas...
Para mim.
Não me arrependo de tudo quanto foi perfeito
Para mim.
Mesmo dos erros que cometi,
Se os quis cometer,
E tal qual os quis cometer.
Arrependo-me sim,
De me terem mudado
E, acima de tudo,
De ter deixado.
Não fosse isso
E eu ainda hoje acreditaria,
Tonta, cega, leda
Mas feliz.
Se não fosse isso
Ainda hoje sorriria
E sonharia
E levitaria só por te ver passar.
Não fosse isso,
E tantos erros ficariam por cometer,
Aqueles que eu não quis cometer.
E tantas coisas por experimentar,
Coisas das quais acabei por não gostar.
Eu conheço-me
Demasiado bem até.
Ou, então,
Conheço o suficiente para saber
Que esta não sou eu,
Não fui eu,
Nem tão-pouco serei eu.
Sou de fé
De impulso
De crenças vãs.
Mas sou.
E, se não tenho sido,
A ti o devo.
Meu deus,
Perdi
O rumo
A fé
Até deus.
E a troco de quê?
Deixa-me voltar.





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