Agosto

julho 16, 2015

Chegaste e pediste
Que te abrisse a porta.
Eu deixei-a aberta
E tu entraste,
Mas sem a fechar.
Seguraste-me a mão
Para eu não cair,
Sentaste-te à mesa
E bebeste-me as lágrimas.
Eu tinha medo.
Mas deixei-te entrar
No meu pequeno e imperfeito mundo.
Dei-te tudo o que tinha,
Roubei para te ver sorrir,
Gemi para que tu não sofresses,
Escondi para que tu não visses...
Um dia,
Tu saíste por aquela porta.
Nem adeus me disseste.
E deixaste sobre a mesa
As palavras mais amargas
Que eu poderia provar.
Eu caí no chão,
Aterrorizada,
E quis lá ficar
Durante largos meses,
À espera que tu voltasses...
Atrás.
Alimentei-me das memórias,
Chorei,
Sofri,
Por ti,
Por mim...
Até os meus olhos secarem
E verem com clareza
No que tu te tornaste.
Um dia,
Amei-te
Até sair à rua
E te ver virar-me a cara,
Altivo,
Superior,
Com o mesmo sorriso
E a meiguice
Com que entraste
Coração adentro.


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