Marés

julho 22, 2015


E, à medida que a música avançava, ela deixava-se seduzir. Cada uma das suas notas parecia tocar-lhe, ainda que de forma encoberta, num recanto especial do coração.
Sentia-o, como a uma brisa de Verão.
Ouvi-lo era como sentir o cheiro a alperce na pele, junto à praia, com o vento a afagar-lhe o cabelo, enquanto os pés a guiavam em direcção àquele que ela sempre soube ser o seu destino.
(Destino?
O que raio é o destino?)
Mudou de faixa. E ele continuava, naquele encantamento semi-inocente, semi-...
Ela lembrava-se dele, junto ao parque.
Ele talvez não se lembrasse dela. 
Olhou-o ao longe, absorto nos seus pensamentos. Parecia seguro de si.
Ela gostava disso nele.
Depois, aproximou-se. Queria saber como seria senti-lo mais perto.
A rua evaporou-se. O vento acalmou. As pessoas deixaram de se cruzar no seu caminho. Os seus amigos emudeceram, por momentos. 
O sol brilhou mais forte, mas ela nem se apercebeu.
Continuou naquela marcha de passeio, inconsciente dos seus passos, inconsciente do tempo e do espaço, mas bem consciente das suas presenças.
Ele era intemporal.
Dava passos firmes, seguros, confiantes, à medida que se aproximava dela.
Ela não sabia o que pensar. E, por isso, excepcionalmente permitiu-se sentir. Apenas sentir.
No instante seguinte ele já lá não estava.
E ela...
Ela não imaginou sequer que guardaria consigo aquele momento, bem como todos os que se lhe sucederam, perplexa, intrigada, seduzida.
E, desde esse momento, ela não soube senão dançar ao som da música dele.

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