Quadro

julho 27, 2015


A saudade deveria ter sempre o teu cheiro.
Não sei se alguém já inventou um cheiro para a saudade, uma forma, uma imagem, uma música.
Não sei se será apenas uma palavra. Gostava de acreditar que sim. Mas tu roubaste-me todas as crenças.

Tudo lá me recorda de ti, mesmo sem lá estares. Não sei se algum dia visitaste sequer aquela cidade. No entanto, todas as ruas parecem ter um pouco de ti. Todos os cheiros, todas as paisagens, os turistas, os nomes dos restaurantes, as músicas que passam na rádio. Tudo tem um pouquinho de ti.
Só queria esquecer-te.
Fazer de conta, fingir que foste apenas um sabor novo que eu provei e que me desagradou.
Fazer de ti uma memória distante, sem dor, sem momentos felizes.
Queria apagar o teu sorriso.
E apaziguar a minha alma.


Quero deixar o amor entrar, sem que a casa esteja cheia. Cheia de ti, cheia dos erros que cometi, dos sonhos que vi caírem por terra, da esperança e das crenças que eu já não tenho.

Para amar, deveremos estar cheios de crenças ou deixar-mo-nos levar pela vida?
Levamos uma mala cheia de lições ou um coração leve e renovado?
Como se esquece o passado?



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1 comentários

  1. Gostei muito, cheio de sentimento :) Não sei se queres encaixar este teu texto e participar no desafio do blog com o tema saudade. R: Obrigada :)

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