Sem nexo

julho 15, 2015



Queria voltar atrás, só para resgatar todos os poemas de amor que te escrevi. Queria reaver todos os "ses", todos os "como eu te amo!", todas as palavras tontas que escrevi com o sorriso que tu me trazias.
Queria de volta o rubor na face, sempre que o desejo domava qualquer prosa despretensiosa, o atropelo de emoções que me faziam sentir como se tivesse acabado de embater num redemoinho de sentimentos do qual eu nunca quis sair.
Roubaste-me as palavras, os "ses", os sorrisos...
É possível amar não uma, mas duas vezes?
É possível amar outros corpos, outras faces, outros sorrisos, outros tiques, outras ruas, outras cidades, outros perfumes?
É possível amar outra voz?
Outra barba por desfazer?


Quero-as de volta. Todas as palavras que te escrevi, 
Todas as palavras que se escreveram,
Onde quer que elas estejam.
Quero saber para onde vão as palavras
Quando o amor se acaba.
Porque
Também ele acaba,
Um dia.

E, se o amor nos sorrir não uma, mas duas vezes, vamos querer saber para onde foram todas as palavras, todos os gestos, todos os beijos que tínhamos para dar.
Vamos procurar o coração e aquela habilidade infinita de amar que se lê nos olhos de quem ama, ou de quem julga que ama
Com chama
Com alma
Já sem coração.







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