Rascunhos I

agosto 13, 2015


Quis percorrer os caminhos todos. O tempo era afinal demasiado escasso para fotografar todos os pormenores, captar todos os reflexos de um sol envergonhado, toda a história contada naquelas paredes antigas, todas as histórias que ficaram por contar, desenhadas nos rostos das pessoas que por lá deambulavam. 
Olhei a imensidão e senti-me pequenina. Pequenina e deslumbrada.
Como poderia tamanha beleza caber num olhar fugaz?
Não tirei os olhos da água cristalina e calma que num ápice conquistou toda a minha atenção. Esqueci a música, as pessoas, os automóveis que corriam pela rua. Esqueci até as casas, de uma arquitectura que em nada me era familiar.
Éramos nós, só eu e aquela água cristalina. Eu, na minha pequenez e a água cristalina, em toda a sua imensidão.
Julguei-a eterna. Por momentos quis perder-me no infinito. Multiplicar cada segundo passado a encarar o paraíso até esgotar todos os minutos da minha quem sabe escassa existência.
Julguei-a minha. 
A realidade interrompeu-me. Voltei a mim. Olhei as paredes e encontrei nelas palavras que logo considerei serem também minhas. 
Aquela cidade, ainda que estranha, também já era um bocadinho minha.
Trouxe-a no coração, incomodada pela fugacidade dos dias, horas, digo minutos que ganhei ao contemplar outros rostos, outros rios, outras ruas, outras vidas, outros escritos.
Por duas vezes me questionei: e se eu tivesse vivido aqui? Como teria sido a minha vida se toda a trama se tivesse desenrolado não lá, onde vivi, mas aqui, lugar que escolhi?

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