Tesouras

setembro 23, 2015


Os meus cabelos loiros pousam sobre os ombros,
Sem vida.
Os meus olhos 
Encaram fixamente o vazio 
Que deixaste deliberadamente na minha vida.

Ás vezes acho que sou um animal de hábitos.
Já me acostumei com a tua ausência.
Não tardou,
Pelo menos não tanto
Quanto tu tardaste.

Já me não entristece 
Ir esquecendo aos poucos os contornos da tua face,
Conforme sucede nos filmes que me ocupam os tempos mortos
Mas mais repletos de vida
Do que eu algum dia cri ser possível.

Eu posso amar outra vez.
Outras vezes.
Incontáveis dias
E noites
E sonhos.
Eu posso amar.

Foi bom
Descobrir,
Descobrir-te,
Descobrir-me,
Conhecer-me.

Partir.

Quero um infinito
Que não creio
Que algum dia sejas capaz de descobrir.
Não te deixo sinais
Ou pistas,
Nem memórias.

Memórias pertencem ao passado.

Não fomos
Passados,
Momentos,
Interrupções.
Erupções de sentimentos
E convulsões de emoções 
Inexplicáveis,
Inconfessáveis,
Irrepetíveis.

A felicidade não se repete.
Simplesmente muda de forma,
E dignifica-se.


Encontrei o caminho para casa.





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