Amar sem língua, sem pele

outubro 02, 2015




Não consigo amar os dias
Se todas as estradas me parecem iguais,
Erradas,
Destroçadas.

Enveredei por atalhos,
Da vida retalhos,
Cabeçalhos
Ou rodapés,
Tenho todos os atalhos aos meus pés.

Não quero cair do pedestal outra vez.
Não quero que faça(s) sentido,
Que fique(s) comigo.

Não quero estrelas,
Nem o meu nome numa parede insípida,
Ou em páginas de amor sem vida,
Com (o meu) sangue dentro.

Não quero as lágrimas
Do desencaixe perfeito,
As inseguranças da solidão,
O ar rarefeito enquanto procuro perdão,
O futuro que vem,
Ou apenas um pouco de chão.
E um porto seguro.

Estou perdida em mim,
Dou voltas e mais voltas
E acabo sempre no mesmo lugar,
À procura de recuar,
Mas o tempo não cumpre
E o que me doeu...
Ainda mói.

Liberdade
Era viver tudo outra vez
Mas no trilho certo.

Estou sem rua
E sem tecto.
Estou sem tacto
E noção do que é errado ou correcto.
O coração pede 
E é certo:
Não é tempo ou tecto,
Nem cidade ou meta.
São ruas, trilhos, moradas,
Corpos com opções,
Mais corações.

Prisões.


Como me fui eu prender?




You Might Also Like

0 comentários