Cinzento

outubro 05, 2015



Sou escrava de um amor sem nome,
De um ofício sem paixão ou calor,
Não sou escrava do Amor.

As palavras perdem o gosto,
E as luzes parecem enfraquecer
À medida que o tempo passa.

Só me resta escrever,
Ou sofrer,
Ou um dia amadurecer.

Hoje apenas O procuro.
Procuro Deus
Porque não te creio,
Porque não lhe creio,
E, no silêncio que, assim, em mim fica:
Nem em mim creio.

"Creio no Amor como quem crê em Deus".
Tolos aqueles que confiam o seu coração
A um semideus:
Meio homem, meio pecador, meio manipulador.
Não to confio.
Não lho confio.
Apenas mo confio.

Talvez o problema resida
Em eu ser já inteira,
Por mim só.

Sou livre,
Vivendo na aparência de um cativeiro quase vil,
Sou o tumulto,
Reflectido no silêncio da minha alma emudecida,
Adormecida,
Fingida.

Sou a voz,
Que um dia murchou
E se fechou em inúmeras letras
Concretas, violentas, discretas.

Nunca fingi amor.
Nunca pedi calor.
E o sonho, esse,
Já não é maior.

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