Beige

outubro 05, 2016



Não são muralhas, meu Amor. São demónios que eu não esqueci. As palavras que te não disse, não são silêncios, são antes juras de amor que o tempo esqueceu. Se fugi, não foi por ter perdido a cabeça, mas sim o coração, que nunca mais foi meu.

Ando de coração perdido,
Brincando de sem-abrigo,
Sem real noção da dor,
Ou do perigo.
Se não te amei, como devia,
É porque não consigo.


Porque eu não sei amar, Amor. Não nasci para viver uma grande paixão, se a vida que me traçaram sempre foi mediana. São amenos os meus dias, mesmo no mais violento dos climas. São doces as minhas tempestades e quentes as palavras geladas que profiro.
Não sei se entendes, o que significa não ter explorado os mares, nem ter feito cruzeiros elegantes em grandes navios, se sabes o que são vidas sem luxos, nem luxúrias, ou fúrias. Se sabes o que é ter o peito a descoberto, a alma nua (sabendo-a tua); se imaginas como são os tectos sem estrelas, os afectos sem laços e os laços sem nexo. Eu não tenho nexo, pois não?
Somos duas realidades quase tão distantes como a Terra e Plutão.
Às vezes temo que nem sejamos da mesma natureza, da mesma matéria, do mesmo fogo, da mesma razão.
Sou amor sem razão, razão com pudor.
Sou mil e um preconceitos preconizados nos versos livres que finjo que escrevo só para esquecer que (ainda) existes em mim.
São só palavras, amor.

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