Faith

outubro 11, 2016

Há uns dias vi no blog Don't make me blush a história de alguém que esteve meses em depressão. O texto tocou-me e, acima de tudo, deu-me coragem e permitiu que eu finalmente pensasse "Está tudo bem. Não és a única a passar por isso", porque muitas vezes, apesar de sabermos que não é assim, é isso que sentimos.
Durante um ano eu não vivi. A verdade é que nem me recordo dos primeiros meses em que sofri de depressão. E a pergunta que sempre me assolou foi: "porquê?", então voltemos atrás.
O ano de 2015 foi um ano agridoce. Recebi a melhor proposta de emprego de sempre, tratava-se do meu emprego de sonho, bem pago e com um potencial prestigioso. Após várias entrevistas, não passei na última fase de recrutamento. Simplesmente recusaram-me sem me dizerem porquê. As restantes propostas assemelhavam-se a trabalho escravo (com despesas e sem salário) e eram numa área completamente diferente, com a qual não me identifico mesmo nada. Não vou negar o impacto negativo que isso teve em mim. Mas eu sabia e sei que ainda me restam outras oportunidades, noutras empresas. Além disso eu ainda estava a estudar. Nada de me preocupar em demasia.
Os meus amigos iam-se distanciando...
A família apenas exigia de mim mais do que eu podia oferecer, em suma, chegou a um ponto em que apenas me irritavam.
Finalmente aceitei fazer um tratamento com a esperança de aliviar as crises de ansiedade e alguns dos sintomas físicos horríveis que eu tinha há já muito tempo. Investi numa clínica particular, extremamente cara, extremamente fancy e algo alternativa. A profissional em questão apenas quis ver dinheiro, não deu resposta aos meus problemas, não me medicou. Ficou apenas ali a ver-me sofrer cada vez mais enquanto explorava cada cantinho da minha alma onde a dor já havia morado ou onde ainda habitava. Entrei numa espiral de dor, numa depressão profunda e passei a ser, toda eu, feita de lágrimas.
E depois veio o período do qual eu não me lembro (talvez isso até seja algo positivo), imagino que tenha sido melhor.
Perdi todos os meus amigos. A maioria nem sabe daquilo por que eu tive que passar, sozinha. Os que sabem... Não querem realmente saber.
Aproximei-me muito da minha família, ainda meio-ferida, meio-amedrontada. As pessoas não compreendem o que isto é.
Pensam que se estamos tristes então temos que nos pôr alegres e pronto, puff, surge um sorriso, reaparece a vontade de viver, a alegria que emigrou do nosso corpo, tudo, miraculosamente, como se estivéssemos assim porque é assim que queremos estar: vazios, dormentes, doridos.
Adquiri medos que eu não tinha antes e vi-me grega para os superar.
Revoltei-me muito.
Sofri com os efeitos secundários da medicação.
Perdi o sentido, o propósito de viver. Vi-me sem objectivos e sem vontade de os ter.
Hoje estou a reaprender a viver, devagarinho, porque uma caminhada destas não se faz de um dia para o outro. Acredito que tudo se supera nesta vida. Tenho mais força.
Mas ainda me magoa ter perdido tudo aquilo que eu perdi.
Tenho que recomeçar a minha vida do 0, não de onde ela ficou, mas do início, com todas as marcas que levo na pele.
E, o que me vale, é a Paz que sinto, o sentimento de que algumas coisas foram como tiveram que ser e uma Fé pela qual vou batalhando, dia após dia, porque eu sei que, mais cedo ou mais tarde, ela volta para mim.

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7 comentários

  1. Conquistamos sim, mas parece que nunca ficam por muito tempo.. espero pelo dia em que consiga fazer de tudo uma conquista e não uma perda. Sei que chegará.
    Mas, é incrível como depois do que dizes aqui, ainda veres tanta esperança na vida!
    Beijinho <3

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  2. Não gosto nada de ler estas histórias porque deixa-me tão triste ver tanta gente a passar por isto. Esse universo de clínicas e tratamentos é algo super distante para mim e, pelos vistos, ainda bem. Acredito que haja mesmo muita gente que só veja dinheiro à frente. E os teus amigos realmente, nem se podem chamar de amigos, são pessoas que também não merecem estar na tua vida. De qualquer das formas, ainda bem que estás melhor! :) agora é sempre a ir num bom caminho, e essas marcas que trazes contigo fazem parte e ainda bem que existem, para que te lembres sempre do que já passaste mas que também deste a volta por cima. :) Desejo tudo de bom mesmo!

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  3. A depressão é uma doença terrível... mas tem tratamento :) e podes recuperar a tua alegria porque ela está aí, dentro de ti! Só que agora está escondida... temos de escavar um bocadinho para voltarmos a vê-la :) tudo de bom para ti e muita força!

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    1. Muito obrigada pelas tuas palavras! Mesmo :)

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  4. Todo o meu coração e força junto a ti! Identifiquei-me tanto com o "sabemos que não estamos sozinhos mas é isso que sentimos"... Gaita, pode haver muita compaixão e amor de quem nos rodeia, mas só sabe quem passou =/
    Um abraço enorme e um degrau de cada vez. Crescendo, aprendendo desafiando... Vivendo de novo.

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    1. É isso mesmo, viver de novo! Muito obrigada pelas tuas palavras* :)

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