O conformismo

outubro 10, 2016


Sou uma bailarina. Arrumei as sabrinas, Deixei o ballet.
Foi assim que começou esta viagem: sem expectativas, com poucos sonhos, com algumas ilusões.
Nunca pensei que a realidade fosse tão dura, os dias tão pesados, as pessoas tão amargas. Interrogo-me se não terei ficado amarga também.
Todo este processo, toda esta introspecção, toda a solidão, todos os sonhos desfeitos e mudanças de rumo que tive que fazer ao longo destes meses arruinaram-me o coração. O meu coração está um farrapo, um trapo velho, inutilizável, irreparável.
Já pensei em colocar-lhe um remendo, mas um só não bastará, Seriam precisos uns mil, no mínimo e, feitas as contas, ele nunca mais voltará a ser o mesmo.
Hoje arrumei o violino, a um canto, na sala. Já não o quero no meu quarto onde possa olhar para mim e passar as noites a perguntar "por que não me tocas?".
Não te quero no meu coração em farrapos.
Neste coração tonto e esburacado.
Já não te quero, meu violino, minha música, minha paixão.
Sinto uma dor física constante. A alma já me não dói. Devo tê-la vendido ao Diabo quando pedi que me amasses.
Hoje só quero encontrar o sentido nas palavras que escrevo, nos versos que já eu esqueci, tatuados numa pele que já viu melhores dias. A minha pele está gasta. A minha face cansada. O coração esfarrapado.
E, ainda assim, não estou infeliz. Será isto...

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6 comentários

  1. Este texto tem tanto de triste como de belo...já muitas vezes me senti assim!

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    1. Obrigada :) Melhores dias virão ... Vêm sempre.

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  2. Obrigado pelo teu comentário!
    Adorei o texto, mas não desistas do que realmente queres! Com força conseguimos tudo! *

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  3. A-D-O-R-E-I :D Acabaste de ganhar um seguidor só por causa disto *-*

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