As Regras da Casa

novembro 24, 2016

Adenda ao post anterior

Em dia de reunião familiar não é permitido:

- utilizar o telemóvel porque somos logo gozados e segue-se um interrogatório tipo inspector da PJ; a minha família não acha porreiro mandar sms de Natal e de Ano Novo aos amigos;
- utilizar o computador com a mesma finalidade;
- levar o portátil e tentar fazê-lo, sem abandonar a sagrada família; porque inevitavelmente alguém irá espreitar ou criticar, ou ambas;
- utilizar o computador para jogar (em miúda tinha sempre jogos novos no Natal e nunca os experimentava. Haja liberdade!);
- ver tv. Há sempre alguém que diz (por gestos): "o comando é só meu" e lá se vai a ideia de ver um filmezinho típico de Natal, qualquer espécie de desenho animado, um filme perfeitamente normal... etc. Aqui se vê Casa dos Segredos e outras "paroladas" piores (desculpem-me aqueles que me lêem e gostam de assistir a esses programas);
- falar. Aqui fala uma pessoa. E, quando alguém abre o bico está o caldo entornado. Seguem-se birras, fitas, discussões... Porque ninguém aprecia esse género de atitudes. Já cheguei a ver essa pessoa fingir um desmaio (toda a gente percebeu que era fingimento), depois de desencadear uma discussão, só a ver se saía por cima! Claro que, no final, vai sempre alguém embora chateado. Ás vezes continuam a discussão em casa;
- Já disse que é proibido falar? Se abro o bico, segue-se um "agora estou a falar eu" (há 3 horas consecutivas);
- esgueirar-me durante mais de 1 minuto. Vêm logo atrás de mim ver o que estou a fazer e, se não regresso, sou logo ameaçada. True story...
- ficar a pé após a meia-noite. Porque há sempre alguém (a mesma pessoa que faz questão de ser a única a falar) que se quer ir deitar, porque sim, ou porque quer falar e já estão todos fartos de a ouvir (a contar as mesmas coisas que contou 59999999999999999999999 vezes, durante a agora 7ª ou 8ª hora);
- escolher o que comer. Aqui ninguém tem voto na matéria, a comida é toda feita de acordo com o gosto caprichado do convidado frisado no ponto anterior. Se gostamos doutra coisa qualquer, paciência, não há nada para ninguém;

Talvez isto tudo aconteça por ser a pessoa mais jovem que está presente. Quero mesmo acreditar que é por isso! Mas a verdade é que foi assim durante muitos anos e, de ano para ano, só tem tendência a piorar.
Depois ainda acontece aquilo que eu mais abomino: dizerem mal dos outros nas suas costas. Não é criticar, é dizer mal, forte e feio. A vítima costuma mudar de semana a semana, mês a mês... por aí. Mas aqui não se brinca em serviço.

Eu não contei isto porque queria muito fazê-lo e anunciá-lo ao mundo, porque, sinceramente é algo que lamento e que me envergonha muito. Mas precisava desabafar e ás vezes é complicado falar sobre isto com quem nos conhece... Existem sempre reservas porque aquela pessoa sabe exactamente de quem estamos a falar e, mesmo sendo inteiramente verdade tudo o que disse acima, é complicado, muito complicado...

Se a minha vida podia ser perfeita? Poder até podia.
E sinceramente, é. Acho que devia estar grata por esta ser a única coisa má que tenho a minar a minha felicidade. Mas é muito difícil ter de enfrentar isto todos os fins de semana e agora na época mágica que aí vem.

Por isso, se lerem algures que detesto fins de semana e que o Natal me suscita um sentimento agridoce, já sabem o porquê (mais informações neste post).

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8 comentários

  1. Não há famílias perfeitas, tal como não há pessoas perfeitas, mas uma só pessoa, dentro de um grupo, conseguir estragar a noite a todos, mandar em tudo e ser só "eu, eu e eu", uau! É obra!
    Lamento que seja assim querida, espero que no futuro seja melhor*

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  2. Epa, a tua família é muito parecida com a minha, seremos irmãos? :)

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