So... taking my chance?

janeiro 26, 2017

 Arrisco viver. A cada esquina que dobro, de cada vez que carrego a fundo no acelerador, quando me cruzo com um homem que, de alguma forma, me atrai, arrisco viver.
Arrisco viver sempre que subo as escadas sem saber onde elas me irão levar, de cada vez que escolho uma rua ou ruela nova, de cada vez que me deparo com uma palavra cujo significado eu desconheço por completo.
Arrisco viver de cada vez que ultrapasso os limites e não cumpro as regras. De cada vez que faço as coisas à minha maneira porque, no fundo, eu sei que assim é que elas ficam bem feitas. E eu sei isso melhor do que ninguém. Cabe em mim todo o conhecimento que o Mundo tem acerca deste ser tão vulgar e indistinto que eu sou. Só eu sei o que sinto, como o sinto e se algum dia o deixarei de sentir.
Arrisco viver quando digo mil e um disparates e os lanço assim, ao público, como se se tratassem de mil pombas brancas, esvoaçando, finalmente... livres!
Arrisco viver sempre que digo sim, porque o não é anti-vida.
Arrisco viver sempre que aprendo algo novo e o guardo para mim: porque corro o risco de nunca provar a ninguém que o sei, mas a vida não é feita de provas. É feita de desafios e surpresas. Por isso, arrisco viver, sempre que me não dou a conhecer ao Mundo, muito mais do que se me desse, porque isso qualquer pessoa faz. Mas não é qualquer pessoa que se reserva, ainda que as suas palavras a desabrochem tal e qual uma rosa na Primavera.
Arrisco viver de cada vez que desejo ser a rosa de alguém, assim como a do Principezinho, porque um príncipe volta sempre para a sua rosa. Mas eu arrisco mais porque eu não fico à sua espera. Ou vou à luta ou a luta muda.
A vida é feitas de lutas que nunca foram lutas senão aos nossos olhos. Nós convertermos dádivas em lutas porque não gostamos do que vem fácil. E temos a nossa razão, porque "o que vem fácil, vai fácil". E por muito fugaz que tudo seja nos dias que correm, a maioria de nós procura alguém com quem construir um "happily ever after" ou, pelo menos, alguém com quem eternizar aqueles momentos que nos farão sorrir quando formos velhinhos. 
Se a vida é feita de momentos e o que importa é o aqui e o agora, então por que buscamos incessantemente alguém com quem nos imaginemos a envelhecer, a procriar e finalmente... a adormecer?

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1 comentários

  1. A vida é mesmo feita de lutas (internas ou com o mundo exterior)...mas, às vezes, poderiam ser mais fáceis!

    quanto ao arriscar viver...não será essa a nossa função?

    boa tarde Mary

    -___-

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