Sobre estes dias e os amantes

janeiro 25, 2017

Há quem diga que só as pessoas criativas são capazes de alcançar a felicidade. Um dia, falar-vos-ei sobre Ele. 
Eu não sei.
O que eu sei é que estes dias cheios de vida têm passado a correr e do eu mais sinto falta é das minhas palavras. As minhas palavras, as minhas letras, os meus versos. Sinto-lhes tanto a falta.
Hoje, olho para mim e parece que já nem sei falar de Amor, sobre mim ou sobre coisa nenhuma.
Falta-me a inspiração, a arte e o engenho. Falta-me a coragem, o foco e a ambição.
Há muitos anos que digo baixinho que o que eu mais quero ser "quando for grande" é escritora. Mas como, meu deus? Como?
Não é a paixão pelas letras que me move e que me rouba a respiração. Não faz o meu coração saltar uma batida, nem as minhas pupilas dilatarem de prazer. Não me faz sorrir com o olhar ou então chorar por não conseguir conter tamanha felicidade.
Então, talvez eu não queria mesmo ser escritora.
Talvez eu só queira ser amante. E deixem de lado os preconceitos e conotações negativas. Todos nós somos amantes e deveríamos sentir orgulho nisso.

Vejam:


a·man·te 
(latim amans, -antis, que ama)

1. Que ama alguém.

2. Que está apaixonado por alguma coisa.

3. Pessoa que ama alguém.

4. Namorado ou namorada.


Só em último lugar surge a última conotação do termo., a qual eu omiti aqui. 

Por isso, o que ando eu a fazer?
Acima de tudo eu procuro completude, refúgio, solidão.
Tento descobrir quais as ferramentas que me permitirão manter a cabeça erguida sempre que a vida me desapontar e construí-las com estas duas mãos que vos escrevem agora. Porquê?
Porque eu quero sempre mais. E, neste momento, eu quero mais amor. Mas não antes de encontrar a minha completude, o meu refúgio, a minha solidão.
Só depois terei coragem de viver uma solidão acompanhada e, mais tarde, uma vida a dois (ou mais).
E tudo isto pressupõem abandonar muitas das minhas crenças, questioná-las e quiçá repudiá-las. Mas eu não me quero abandonar a mim. Eu não me quero repudiar. E essas crenças fazem parte da pessoa que eu hoje sou. Mais do que isso, muitas delas sempre fizeram parte da pessoa em que eu me tornei. E eu agora ouso abandoná-las?
É este o caminho para a auto-descoberta?
É por aqui que sigo e no final te encontro?
Vai haver um final, ou sequer um encontro?
Como se encontram os corações?
Como sabemos quando encontramos o coração que bate ao mesmo ritmo que o nosso?
E se ele não existir? Se já tiver partido, ainda estiver por nascer ou viver do outro lado do mundo? 
E se o coração que nos espera tiver sido sempre nosso?
No seio de tamanha complexidade como poderemos ser capazes de discernir a verdade?
Existe verdade, para além daquilo que vemos e sentimos?
Tenho medo de não ser uma das pessoas criativas para quem Ele reservou a felicidade. E se não for? Construo-a eu?

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3 comentários

  1. aquilo que queres e procuras é uma cumplicidade plena...quanto ao seres escritora, já os és, além de escreveres muito bem, escreves, verdadeiramente, o que sentes.

    boa noite

    -___-

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    1. Confesso que nunca gostei muito do termo cumplicidade. Sempre achei que ficava muito aquém do Amor e da Paixão até. Mas a verdade é que encaixa surpreendentemente bem aqui, neste texto, no que eu sinto e na mensagem que penso ter transmitido.
      Muito obrigada pela partilha.
      E muito muito obrigada pelas palavras finais. Mesmo*

      beijinhos

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  2. Ena tanta pergunta interessante, acho que vou responder... no blog :)

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