Amar as letras

abril 30, 2017

Olá, o meu nome é Felicidade. Amo a Vida como quem ama o Amor. E amo o Amor como quem ama Deus.
Fui "treinada" para assassinar as palavras. Tornei-me implacável. 
Romanticida.

Troquei o afecto por uma frieza arrogante que apenas me trouxe solidão. Da solidão fiz a minha independência. Da independência fiz um Inverno que eu logo incendiei.
Estou proibida de ter sentimentos. Digo, sou proibida, pois não os posso ter.
São, assim, os assassinos do Amor.

Desmonto-te, como se fosses um puzzle que alguém carinhosamente compôs. Só para estudar cada uma das peças semi-indecifráveis que te compõem.
Sou o vento e a luz.
A maresia e os relâmpagos.
A tempestade e as auroras boreais. Porque sou, mais do que sou, aquilo que eu quero ser.

Aprendi que na vida tudo depende. Excepto eu.
Eu não dependo. 
Eu torno dependente. 
Dependem de mim todas as letras moribundas às quais eu faço uma espécie de reanimação espirito-fundamental. É essencial encontrar o fundamento, os contrastes, os absurdos, e adoptar a posição que nunca ninguém adoptou.
Assim, assassino mil palavras para dar à luz uma só, e faço dela o meu mote e o meu mantra.

Assassino
Lenta e dolorosamente
Todo e qualquer amor pequenino, ameno e insípido. 
E das cinzas construo um Amor maior, mais resistente, resiliente e Imortal.
Mas eu não posso Amar! O Amor é-me proibido! E, somente por isso, eu Amo até mais não.

Olá, o meu nome é Sem-regras.
Não sigo o rebanho ou a escravidão da dormência sentimental em que caem os corpos nus.
Rasgo as palavras. Para que servem as palavras?!

Tento impor conteúdos através da beleza exótica de algo em que eu nem sequer acredito.
Sedutor?

Já nada me seduz! Estou farta. 
Quero que o Impossível viva em mim outra vez. E quero morrer.
Quero morrer, e saber que do outro lado tu me darás a mão.

Todas as palavras que te não disse
Foram beijos,
Da minha alma para a tua:
Incorpóreos,
Difíceis,
Irresistíveis.

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