Experimentar Viver

abril 28, 2017

Em Outubro do ano passado, escrevi um post  sobre depressão - este, com o nome Faith (Fé).
Quem me conhece sabe que eu nunca aceito algo que me seja imposto. Como tal, também não aceitei o facto de ter depressão. Como é que seria possível - eu - ter depressão?
Volvidos 6 meses eu ainda não estou certa de ter compreendido o que se passou. Sei que não foi tão mau assim e que passei por muitas coisas pelas quais não deveria ter passado devido à sobre-medicação que me foi imposta.
Um dia, decidi que tinha chegado a altura de recuperar a minha vida: o que se segue não deve ser tomado como exemplo, porque apenas funcionou comigo porque eu sabia - com toda a certeza - que algo estava errado e que não necessitava de tomar tudo aquilo - o que veio a ser confirmado por uma médica muitíssimo mais competente.
Deixei de tomar dois dos três medicamentos que me tinham sido prescritos.
E voltei a viver.
É verdade! Recuperei o raciocínio, a memória, a capacidade intelectual em geral, a força, a vontade de viver. Tudo em mim renasceu! Não levou um dia. Levou uma semana. Em uma semana eu comecei a sentir que me tinha de volta. E toda a gente reparou nisso, só não sabiam o porquê de eu estar assim tão bem, quase feliz, de sorriso no rosto e solta como outrora eu fora.

Hoje, meio ano depois, fico contente por ouvir tantas, mas tantas vezes "quem te viu e quem te vê" e "tu estás tão bem", "olha-se para ti e vê-se que estás mesmo bem", "mais sorridente, mais simpática", etc - tudo isto vindo de um profissional de saúde qualificado e experiente.

A razão para estar a partilhar isto tudo... bem, na verdade existem duas razões.
A primeira é que - se Iemanjá quiser - terei a minha última consulta, antes do controlo, no mês que está prestes a começar. Pouco depois, se tudo correr bem, irei deixar o único antidepressivo que tomo - que é um medicamento super vulgar que os estudantes tomam apenas para ficarem mais relaxados e concentrados, mesmo aqueles que nunca passaram por um período depressivo. Se não fossem as enxaquecas que teimam em não me abandonar a título permanente, neste momento, já estaria a escrever-vos... livre de drogas (eu sou muito reticente no que toca a tomar medicação de qualquer espécie por isso sei que vou ficar muito melhor quando esse dia chegar).

A segunda razão prende-se com uma pergunta que o mesmo profissional de saúde me dirigiu: se eu sentia que tinha voltado a ser a pessoa que era antes de tudo isto.

E eu - um pouco receosa, o que veio a confirmar-se razoável dado o ar de preocupação dele - respondi:

-Não, não me considero a mesma pessoa.

Porque eu não sou - mesmo - a mesma pessoa que era há 1 ano ou até há 6 meses atrás.
Durante este período, aprendi o que era a aceitação, no que concerne a tudo aquilo que eu não consigo ou posso mudar; perdi 99% dos meus medos; perdi grande parte da vergonha, dos pudores, do medo de falar em público, de não ser aceite ou de não ter a aparência perfeita, apta a encaixar nos padrões elevados de qualidade estética dos locais que frequento.
Aprendi a ter Paz - montes de Paz! Paz, serenidade e tranquilidade. Não quero com isto dizer que toda eu sou imperturbável. Nada disso! Apenas aceito que a vida tem um ritmo próprio, que as coisas aconteceram como e quando deveriam acontecer e que, cada dia, me oferece aquilo que a vida tem para me oferecer. E que apenas eu posso melhorá-lo. E nem sempre isso é possível, mas está tudo bem, porque eu tento!
Aprendi a deixar as mágoas no passado. E ainda estou a tentar aprender a forma correcta de evitar que isso condicione a minha vida, no presente.
Aprendi a não me contentar com menos do que aquilo que eu mereço. Que se eu trabalho para ter algo, então eu espero serenamente que o resultado esperado chegue até mim; e, se ele não chegar, eu luto outra vez e outra vez e mais outra vez; até encontrar um sonho que seja maior do que esse.
Aprendi a expor a minha opinião - às vezes discordante ou somente peculiar - quando comparada com as dos outros. Tenho uma maneira de ser muito única e já não vejo "grandes" motivos para o esconder. Porque quem eu permito que me conheça, gosta de mim assim, com todas as minhas peculiaridades, tempestades e intensidades... minhas. Porque, no fundo, sabem que o meu lado de menininha mimada e teimosinha, também é o meu lado mais doce e feliz! E aceitam-me assim, desse jeito, sem tentar impor uma mudança abrupta de algo que eu não quero mudar... nunca! : a minha incapacidade de me resignar perante a infelicidade. E eu exijo muito! Eu quero muito! Mas eu também sei - querendo - dar muito, mas muito mais do que os outros me dão.
E isso foi o que mais mudou, em mim. Não quero saber, não tô nem aí... Quero dar. Quero dar-me ao Mundo e descobrir os encantos que ele tem para me oferecer.
Posto isto, tenho sonhos maiores (a concretizar no futuro), tenho planos dos quais eu prometo a mim própria não desistir nunca, por maior que seja a vontade de seguir o caminho mais fácil e tenho... Vida! Tenho Vida em mim, novamente. Tenho música, tenho vontade de escrever, tenho... vontade de me pôr bonita - só para mim e só porque sim! -, tenho vontade de ser sexy, independente, livre, solta, quase selvagem... Tenho vontade. Acima de tudo, tenho von-ta-de.
E se me dá vontade... eu vou e faço. Eu vou e descubro. Eu vou e vivo.

E isto, meus amores, isto... não é só recomeçar a viver. Isto é, pela primeira vez na vida, começar a assumir o controlo da minha vida - porque é isso que ela é: a minha única, irrepetível, efémera, mara-vilhosa, linda, por vezes calmaria, por vezes intensidade... esta é... a minha vida! E eu quero MUITO viver! Mais do que tudo... eu quero Viver. E quero
Sempre
Chegar ao fim do dia,
Bom ou não tão bom assim...
Com a certeza de que...
"Foda-se... eu senti o que vivi!". E amanhã há mais para sentir, para viver e para recomeçar.

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4 comentários

  1. Sofro de depressão endógena, ou seja, não produzo serotonina em quantidade suficiente. Terei de tomar sempre antidepressivo. Mas sim, já tomei muita outra medicação que larguei completamente quando iniciei a prática de exercício físico.

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  2. Que bom que foi ler estas tuas palavras! Em contornos diferentes, também sei bem o que é recuperar essa vontade de viver e viver a vida com serenidade e um sorriso, aceitando que mesmo as coisas menos boas fazem parte dela.
    Beijinho

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    1. Obrigada :)
      Quis partilhar o que me vai no coração e na alma. E tinha esperança de que a minha experiência desse força e esperança a outras pessoas que possam estar a passar pelo mesmo que eu passei e pensem que, de alguma forma, "não saem dessa". Acredita quando te digo: Saímos, podemos sair sempre.
      E saímos fortes, magníficos e pessoas muito mais bonitas (por dentro), do que éramos antes :)


      beijinhos e tem um excelente feriado :)

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