Inocência

abril 29, 2017

As palavras ecoavam na minha cabeça
E eu não encontrava uma forma
De compreender o seu sentido,
De despi-las da sua lógica tão intrínseca
E tão evidente,
Mas que me não cabia a mim assimilar.

Tentei memorizá-las,
Como se memorizasse um poema que,
Mais tarde,
Viria a debitar numa vulgar folha de papel.

Senti algo a inflamar-se dentro de mim.
Urge o impulso de me levantar
E descer as escadas,
Quase a galope,
Como quem corre para abraçar um Amor
Há muito não visto.

Peguei no cartão de débito 
E comecei a dirigir-me à caixa multibanco, 
Devagar
Muito devagar,
Nem sei bem porquê.

Vi-te, resplandecente,
Acompanhado de mais um dos teus amigos
Que eu julgava ser de circunstância.
Ambos belos,
Ambos senhores
Eloquentes, imponentes...
E belos.

Subi a escadas desorientada
E voltei a cruzar-me contigo no andar superior.
Desta vez, coloquei a minha pose mais sedutora,
Ergui o peito e enchi-o de ar e de coragem,
Levantei um pé e,
Depois,
Ergui o outro
Leve e sedutoramente.

Subi os degraus o mais devagar que consegui.

Envergava um vestido
Que mais parecia um camisolão,
E deixei...
Deixei que apreciasses cada centímetro das minhas coxas
Perfeitamente torneadas
À medida que eu subia aqueles degraus indecentes,
Devagar,
Mas tão devagar,
Como se o tempo ali tivesse parado.

Só para mim.

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