Metades.

abril 13, 2017

"Nunca fui de meias palavras, meias verdades, meios amores, meia intensidade, ou tudo grita, tudo fala, tudo queima, tudo arde, ou tudo silencia, apaga, esfria, esse negócio de coisa morna não é comigo. A vida é fugaz, intensa, breve, sem tempo para o que vem pela metade.
Meu verbo é direto, conjuga todos os tempos na velocidade do raio, não preciso esconder-me em convenções sociais, só vou se quero, não crio raiz, não sou árvore, sou vento, vou para onde meu coração manda me transformo a cada segundo no que o tempo permite que eu seja, medo é algo que jamais fez parte de meu dicionário e nunca o fará, sou a tempestade cruzando a estrada com passos leves na sapatilha da bailarina.
Não sou de comer prato frio e nem pelas beiradas, o almoço dos dias é sempre um banquete, nele reside o que todos buscam, mas só os que têm alma liberta apreciam suas próprias garfadas, seus pequenos bocados da sabedoria diária que a vida propicia.
Se a tristeza, a desilusão, a decepção batem a minha porta? Sim batem, mas vou logo mandando embora, meu golpe é certeiro, manejo bem a espada que controla o coração e o cérebro, sentimentos que machucam ficam hospedados em minha casa só o tempo necessário para que eu mesma cresça, nem um minuto a mais.
Não sou de apego, sou de laços, ou esses vem bem amarrados ou se perdem na imensidão, porque o nó que segura a vela no mastro é seguro, caso não seja o barco na primeira tempestade se entrega ao naufrágio."


Anaiá Zaleski

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