O tempo

abril 30, 2017

É, sem dúvida, muito mais fácil, quando sentimos que encontramos o céu e depressa nos estatelámos no chão.

O problema reside, na maioria das vezes, nesse tempo maldito, que é somente tempo. Esse, que nós criámos para dar corda ao relógio. O tempo e a invenção do tempo...

Por vezes, subimos degraus sem pressa de chegar, com um receio dessentido de não avançar nenhum deles. Queremos, muito mais do que chegar ao cume ilesos, dar passos seguros e eloquentes, que não nos permitam cair daí abaixo.

Ridículo pensar que quando se sobe devagar dói muito menos!
Não dói.
Chegámos ao topo, passado algum tempo, e demora. Demora até que nos habituemos a enxergar com toda aquela luminosidade.
E do nada, caímos.
Caímos e estatelámo-nos no chão. Outra vez. Prometemos que esta foi a derradeira. Porque doeu e foi demasiado.
Foi tudo demasiado.
Sem que, contudo, tivesse sido repentino.

O tempo e a magia do tempo, a quem não atribuímos... valor algum.

Não subo mais,
Não levito nunca mais,
Não vou degrau a degrau,
Pé ante pé,
Nem escalo montanhas e cumes  
Por ninguém.

Doeu demais.
E as lágrimas deixaram o pavimento
Eternamente escorregadio.

E eu, que não acreditava no Destino,
Estou sempre, irrevogavelmente,
Destinada a cair.

Tenho o coração esfolado,
E isso é apenas um eufemismo!
Um maldito, doente e trocista...
Eufemismo.
Nem sinto raiva.
Não sinto nada.
Estou dormente e dói-me o corpo todo.
A alma em sangue,
A mente pesada...
A cabeça descrente...

Dói.
Dói demais.

Make it stop,
Please!
Just-make-it-stop.

It hurts. More than ever.
More
And more...


So

Much

More.

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4 comentários

  1. Respostas
    1. Obrigada querida!
      Fico muito feliz.
      É super importante para mim ter o carinho e as palavras bonitas daqueles que me lêem.

      beijinhos e um excelente feriado :)

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  2. Respostas
    1. Thank You!

      You're always welcome here, darling.

      Have a nice day.

      Kiss

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