Reflexões

abril 21, 2017

Somos a geração esfomeada. Temos fome de conhecimento, de afectos, de contacto meramente carnal. Temos fome de experiências novas porque, na verdade, já quase experimentamos tudo quanto poderia ser experimentado. Colocamos o corpo em tudo. E o coração fica arrumado num qualquer canto recôndito dos nossos quartos.
Temos fome de afectos. Mas deixá-mo-la crescer e avolumar-se até que é chegado o dia em que ela nos devora. Deixamos de ser pessoas para ser fome. Unicamente fome.

Somos esfomeados sem nome, sem rosto, sem identidade ou sequer individualidade.
A privação conduz-nos rapidamente às fast emotions. Ao fast food, ao fast-and-easy-non-attached sex, fast people, fast friends, fast moments, fast knowledge. Everything comes and goes so horribly fast.

Somos, na verdade, a geração mais sozinha, apesar de mais conectada.
Somos a geração das aparências que viram máscaras e das máscaras que viram rostos.
Somos uma geração que luta para obter dinheiro e estabilidade. Mas que não deseja ter estabilidade!
Queremos luta, desafios, inquietude, inconstância. Queremos viajar e conhecer o Mundo, mas volvidos 10 minutos já não é ali que queremos estar.
Queremos visitar 30 Países antes dos 30. Queremos conhecer 300 a 3000 pessoas, mas nenhuma delas têm a chance de entrar e ficar.
Queremos um amor eterno que dure somente 15 dias. Sem casamentos ou com separação de bens e acordos pré-nupciais bem redigidos. São maiores os acordos, do que o Amor em si mesmo considerado. São maiores os números de convidados do que o número de vezes que dizemos "Eu Amo-te" sem a intenção de esfregar isso na cara de milhões de internautas, de um ex ciumento ou de uma família intrometida.

Não sei como chagamos aqui. Só sei que eu não me encaixo nesta Sociedade, neste rebanho homogéneo que já nem quer pensar, quanto mais deixa-se amar.
Queremos ser amados, sem dar nada em troca, porque é assim que deve ser. Mas não é.
Ditados não são para serem levados à letra.

Passamos o tempo todo esfomeados porque não sabemos matar a fome dos que nos rodeiam.
Pedir é fácil. Exigir ainda é mais.
Dar, será sempre a mais genuína e a mais difícil prova de Amor.

Entregar-mo-nos sem receios, termos e condições, sem contratos, sem filtros ou máscaras ainda é o desafio supremo.

Afinal, gostamos ou não de desafios?

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2 comentários

  1. Gostamos de bons desafios mas este muito teima em estar constantemente contra nós! Beijinhos*

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    1. Por vezes, assim é. Infelizmente...

      beijinhos*

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