Sintonia

abril 23, 2017

Ainda me lembro
Do dia em que descobri a nossa estrela.
A noite já havia caído
Sobre os nossos telhados.

Lia palavras ocas
Sobre as coisas,
Tão repletas de significado.
Foi apenas quando me distraí
Que prestei atenção:

A nossa estrela!
Meu Amor,
Eu tinha encontrado a nossa estrela!

Era a mais distante
E a mais brilhante
De todo o Firmamento.

Sabes como a reconheci
Como nossa,
Tão nossa,
Eternamente nossa?

Por ser distante
E por ser brilhante.

Sempre fomos dois astros
Meio isolados do resto do Mundo.
Porque não havia Mundo,
Para além de nós.

E por ser brilhante,
Porque sempre soubémos
Que não éramos como todos os outros.

Nós brilhávamos mais!
Muito mais!
Rasgávamos o céu
De cada vez que fazíamos amor.

Oh, e os outros...
A inveja e o desdém dos outros...
Nunca nos disse nada.
Não a nós.
Que éramos tão cheios de nós,
E de um
E do outro
E de Amor.
Éramos tão cheios de Amor,
Tão intensos,
Transbordantes,
Tão inebriantes de Amor.

O café corría-nos nas veias
Mas era perdido o seu tempo.
Eu corría mais depressa
E tu devorávas-me com muito mais fulgor.

Corria em ti.
E tu em mim.
E juntos deslizávamos na pele um do outro.
Queimáva-mo-nos
E tudo quanto sentíamos
Era prazer.
O prazer de deixar a chama arder
Mais
E mais
E mais.
E mais um pouco...
Até mergulharmos de corpo e alma,
Num oceano de entrega, gemidos e suor.

E tudo o que o mar traz,
O mar leva.
Um dia levou-nos
O nosso Amor.

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