Incomoda-me!

maio 01, 2017

Estou a ler, digo, a degustar partes da obra «Fragmentos de um discurso amoroso», de Roland Barthes e cheguei à parte em que o Autor aborda o Suicídio, da seguinte forma:


p. 185.

Toda a ideia é, para mim, absurda. Absolutamente absurda!
Incomoda-me. Incomoda-me demasiado que se profane o Amor desta forma.

Quem nunca quis morrer?

Mas morrer de amor?
Morrer por amor?
Por causa de... amor? Absurdo!

O Amor é somente Vida e Luz.

Eu já quis morrer.
Eu já tentei morrer. Eu preparei todo o acto e iniciei meticulosamente a sua execução. Eu levei a cabo a tarefa durante penosos minutos, consciente da merda gigantesca que estava a fazer e, simultaneamente, revoltada porque não conseguia mais viver assim.

E foi o amor - o Amor - que me salvou de mim.
Eu nunca tive o seu corpo. Nem sei se algum dia conquistei o seu afecto. Mas o Amor que sentia por ele impediu-me de continuar. Quem ama não morre nunca, nem física, nem espiritualmente.
Eu serei eterna no Amor que senti,
Nos Amores que ainda quero sentir.
E esses Amores serão eternos em mim,
Tornando-me, consequentemente, um ser eterno.

Não compreendo o suicídio por amor. O suicídio por amor é uma mentira. E o suícidio pela falta de amor é uma mentira ainda maior.
















You Might Also Like

4 comentários

  1. Não percebi a coisa assim (sobre o que diz o "Rolando"). O que ele quer dizer é que em desespero de causa, sendo a causa conseguir que o outro nos ame, há quem considere suicidar-se para nesse ato final, demonstrar ao outro sem margem para dúvidas que o amamos - se pensarmos bem não o está a fazer por amor, está a fazê-lo por si próprio para conseguir que seja amado, porque acha que nessa prova que faz do seu amor o outro não poderá deixar de o amar também, ainda que depois estando morto não lhe fará grande diferença - parece parvo visto racionalmente, mas estamos a falar de amor.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Respeito mas não concordo em nada.
      Parece-me uma posição derrotista e "ridícula" de encarar o amor.
      Quando se ama e a pessoa não nos ama de volta, tentamos conquista-la. Se não conseguirmos, fazemos uma espécie de introspecção e pensamos no que terá falhado, no que podemos melhorar. Trabalhamos - por nós e pela pessoa amada - no sentido de nos tornarmos a melhor pessoa que podemos ser.
      Se, ainda assim, a pessoa amada não retribuir o nosso sentimento, tentamos estar lá para ela/ele (no meu caso ele) e garantir, na medida do possível e caso esteja ao nosso alcance, que a pessoa é feliz.
      E mais nada.
      Seguimos em frente e vivemos aquilo que a vida tem para nos oferecer.

      Eliminar
  2. Respostas
    1. Que bom. Respeito a opinião de todos, mas gosto muito de saber que existe mais gente a pensar como eu. E a querer Lutar sempre!

      beijinhos e tem um bom dia*

      Eliminar