Renascer


Há sempre poesia em mim,
Enquanto houver amor.
E, quando o amor se apagar,
Haverá sempre poesia em mim
Enquanto houver música.
Haverá sempre poesia em mim.

Sou como as ondas
Que rebentam no mar,
Sou a turbulência da água,
O sussurrar da brisa,
O aroma a maresia.

E enquanto for maresia,
Haverá sempre poesia em mim.
Enquanto for mar
E ondas
E água cristalina
Haverá sempre poesia em mim.

Enquanto houver carinho
E mimos
E doçura
Haverá sempre poesia em mim.

Porque a poesia,
Como o amor,
Nunca morre.
A poesia se apaga
Apenas para renascer.

Demasiadas expectativas


A saudade é um sentimento volátil.
Recordo-me daquelas tardes solarengas e sempre quentes em que eu corria para casa, invariavelmente a ouvir a mesma música. Não havia tempo para ter saudades.
Recordo-me de sair de casa a correr para ir viver: viver Amor, viver amizade, viver sorrisos. Não havia tempo para ter saudades.
Recordo-me das canções que cantava e de tomar banho ao ar livre. Não havia tempo para ter saudades.
Recordo-me de ter sonhos e planos e projectos. Recordo-me de ter metas e de, com coragem, as atingir. Não havia tempo para ter saudades.
Recordo-me dos dias em que apreciava a solidão, sem me sentir só. Não havia tempo para ter saudades.
Hoje a minha vida parece um eco de tudo quanto eu vivi. A saudade impera: tudo me traz saudade. Mas a saudade é algo volátil.
A saudade, nós aprendemos a controlar, a ignorar, a esquecer até. Mas e o Amor? E a amizade? O carinho? A ternura? Onde arrumamos o Amor?

Volver


Um dia a hora chega,
O coração aperta,
E nós partimos.
Partimos com fé,
Com medos,
Com sonhos.

Quero encontrar a poesia que um dia morreu em mim, as músicas cujas letras eu já esqueci. Quero reencontrar-Me.

Rapaz selvagem


Rapaz selvagem,
Nato sedutor
De trajes vagos,
Sinto saudade das tuas palavras
Cruas,
Indecentes,
Nuas.

Sinto saudade das horas
Que eram apenas tuas,
Do fascínio
Surreal
Que por ti se fez nascer.

Rapaz selvagem
Desta vez
Não (te) quero perder.

Rapaz selvagem,
Minha quimera mais pura
Se o Amor foi doença
Tu foste a minha cura.

Rapaz selvagem,
Aprendi a amar a espera
Quase tanto quanto a presença
Tão efémera
Com que me brindas.

Sinto saudade
De te aguardar
E de me dares guarida.

Rapaz selvagem
Serei eu
O Amor da tua vida?

Carta aberta



Tenho saudades tuas, do teu olhar, do teu sorriso.
Recordas-te de quando o teu sorriso era "a minha coisa favorita"?
Tenho saudades de te ter, mesmo sem nunca te ter tido. Nunca foste meu e eu talvez nunca tenha sido verdadeiramente tua.
Hoje reconheço: eu nunca amei na vida.
(Que digo eu?)
Mas e se eu não sei amar?
Que sensações indizíveis eram aquelas?
Que sentimento tolo era aquele?
Que felicidade inexplicável era aquela que me enchia o peito?
Eu transbordava de amor por ti e não tenho vergonha de o dizer.
Amei-te mesmo antes de te ter conhecido.
Quis-te sem porquês, sem mas, sem ses. Quis-te apenas. Tu, na tua essência. E eu nesta minha loucura, nesta minha paixão, com este meu coração revolto.
A verdade é que escrevi para ti as mais lindas e sinceras palavras de amor e queria tanto que as lesses e que as sentisses como eu as senti, numa ânsia ingénua de que sentisses por mim o que eu senti por ti.
Quebraste-me o coração e, mesmo assim, eu hoje sinto e escrevo e amo.
Hoje sento-me e escrevo o que me vai no coração.
Outrora encontrei em ti as forças de que necessitava, mas, hoje, sei que preciso encontra-las em mim.
Ainda assim, gosto de gostar de ti desta forma inocente, carente e ingénua. Desta forma agora desprendida e despretensiosa.